quarta-feira, 29 de maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
CRIATIVIDADE E APRENDIZAGEM
NEUROEDUCAÇÃO
A criatividade como parte do desenvolvimento psicológico é um processo que
acompanha o ser humano em toda a sua existência.
Este estudo tem como meta principal destacar o papel da criatividade na constituição do sujeito criança e/ou adolescente, particularmente no contexto da educação básica, questionando o lugar da escola na estimulação do potencial criativo de alunos e alunas, mediante ações desencadeadoras do desejo de experimentar e fazer coisas diferentes e criativas.
Num primeiro momento parece-nos estranho pensar que a criatividade tem um papel muito importante no exercício da aprendizagem. Mas, na verdade, o pensamento criativo ajuda no ato de aprender, muito em especial nas crianças.
Tendo por base teórica a perspectiva contextual-interacionista, destaca-se o papel da criatividade na constituição do sujeito, mediante ações desencadeadoras do desejo de aprender, experimentar, fazer coisas diferentes e criativas, apontando o grande desafio a ser superado.
E, assim, a criatividade torna-se num imperativo de “aprender a ser” como também de “aprender a conviver” com pessoas, contextos e novos saberes de forma interativa, dinâmica e criativa.
Segundo Goethe, “A ação criadora orienta o homem, proporcionando continuidade à sua existência”.
Nos últimos 150 anos, o desenvolvimento da criança foi pensado sob seus diferentes aspectos: físico, emocional, cognitivo, social, atendendo a modelos epistemológicos, por vezes, divergentes entre si, a exemplo da filosofia e da ciência.
Alguns filósofos, já nos séculos XVII e XVIII, debruçaram-se sob questões acerca da natureza humana, sua gênese e evolução. Locke e Hume, empiristas britânicos entendiam que a mente humana constitui-se como um quadro em branco, uma tábula rasa, sendo a experiência e o contato com o meio determinantes do conteúdo psíquico. Nessa linha de raciocínio a história psíquica da criança é a história de suas aprendizagens.
Por outro lado, Rosseau e Kant defenderam a existência de características inatas do ser humano. O primeiro, destaca a bondade natural da criança e uma concepção de infância dividida em estágios, cada um dos quais apresentando características próprias, exigindo tratamento educacional diferenciado; o segundo dá destaque às
categorias inatas do pensamento, considerando a razão dotada de um poder superior e a priori de conhecer.
A tentativa de identificar os diferentes fatores determinantes no complexo processo de desenvolvimento humano permite que, na atualidade, o desenvolvimento psicológico seja entendido como um processo complexo multi-determinado e multi-orientado que considera o contexto bio-psicosocial-cultural a partir de perspectivas e enfoques teóricos diversificados, valorizando o que há de mais relevante em cada proposta.
Numa perspectiva contextualista-interacionista, conforme Palácios, (1995, p.22), “o desenvolvimento infantil é em grande parte a representação interna de
relações interpessoais estáveis que a criança mantém com o meio”, o que não significa dizer que tudo seja reduzido aos processos de aprendizagem, desconsiderando, tampouco, os limites e as possibilidades advindas dos processos de maturação neurofisiológica, muito menos os fatores histórico-culturais nele implicados. Essa flexibilidade permite considerar a ação dos diferentes contextos educacionais (família, escola, comunidade, cultura) sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente de forma dinâmica e recíproca, considerando que crianças, adolescentes e contextos transformam-se conjunta e mutuamente.
A cada idade estabelece-se um tipo particular de interações entre o sujeito e o seu ambiente. Os aspectos físicos do espaço, as pessoas próximas, a linguagem e os conhecimentos próprios a cada cultura formam o contexto do desenvolvimento.
A reciprocidade existente entre a conduta da criança e os recursos do ambiente
vai consolidando a aquisição das funções psicológicas superiores (inteligência
simbólica, memorização, consciência, raciocínio dedutivo, pensamento abstrato),
alimentadas pela linguagem e pela cultura.
Trazer o foco de entendimento do processo ou fenômeno psicológico para a relação estabelecida num contexto sócio-cultural possibilita um trabalho de síntese, integrando a criança e o adolescente como corpo e mente, ser biológico e social, membro de uma espécie e participante de um contexto histórico.
Vygotsky também considera que desenvolvimento humano e educação, constituem-se nos dois lados da mesma moeda. É pela educação, através da mediação social, que o indivíduo internaliza a cultura e se constitui humano, desenvolvendo-se de forma dinâmica (dialética), através de rupturas e desequilíbrios provocadores de contínuas reorganizações internas, fundamentais para a expressão do potencial criativo.
Dizer que uma relação é mediada é romper com um modelo linear que predomina no desenvolvimento da ciência psicológica, é afirmar que essa relação estará sempre aberta e em construção, considerando a condição de atribuir significado e construir o conhecimento que o sujeito passa a ter. Ainda para Vygotsky os fatores relacionais assumem um papel de protagonista no processo de construção do conhecimento, tendo a palavra uma grande função enquanto elemento mediador. Para ele, esse processo dá-se tendo por base o cenário ou contexto histórico em que ocorre, não podendo ser reduzido às impressões individuais do sujeito.
Assim, mediar o processo de construção do conhecimento e a aprendizagem no
contexto escolar acaba por ser o grande desafio para o educador/educadora da educação básica.
[...] Se temos um aprendiz que é inteiro, pluridimensional e uma tarefa
educacional que possibilita a interação deste aprendiz com o
conhecimento historicamente construído, para incentivar novas
construções e novos saberes, necessitamos conceber os alunos e alunas
do atual momento histórico como sujeitos capazes de agir sobre o
mundo. Além disso, capazes de permitir que a ação do mundo sobre si
próprios, para que se possa desenvolver como seres humanos, com
disponibilidade para conhecer e transformar o conhecimento, utilizandoo
como instrumento de transformação da realidade. (BARBOSA, 2006,
P.17)
Tal posicionamento requer uma postura mais ativa e atenta do docente frente a
um aprendiz potencialmente capaz e criativo. Essa é uma perspectiva de pensar a
construção do processo criativo atrelada a uma concepção de educação e de ensino que concebe a criança e o adolescente como um sujeito aprendiz pleno de possibilidades e responsabilidades consigo mesmo e com o contexto sócio-histórico no qual estão inseridos.
Para educadores/educadoras uma questão significativa é: como potencializar no
aprendiz a sua criatividade? O que considerar na organização das atividades escolares
propostas para a educação básica?
Segundo Torre (2005), algumas teorias filosóficas, consideradas pré-científicas, atribuíam o processo criativo à ação de forças que escapavam ao controle da vontade do indivíduo, caracterizando-se como loucura, excentricidade, intuição genial, ou ainda como um atributo hereditário ou mesmo divino. Projetava-se assim a criatividade como sendo um talento excepcional apresentado por pessoas também excepcionais, detentoras de uma competência que a caracterizava como diferente, por vezes superior, seja na condição de gênio, louco ou artista.
A tentativa de compreensão do fenômeno criativo numa perspectiva mais
científica aponta para a sua compreensão sob um enfoque mais psicológico remetendo-o a comportamentos e aprendizagens, a processos de conhecimento que atendem a perspectivas afetivas e atitudinais constitutivas de um sujeito imerso na rede de relações sócio-culturais e históricas.
Embora em todo ser humano haja potencial para gerar novas idéias, em algumas pessoas, esta qualidade se destaca por cima de outras, como a inteligência, a sociabilidade, a percepção, a comunicabilidade, a concentração, a empatia, a memória e outras, que podem ser aumentadas mediante a prática ou a educação.
O que nos sugere que a existência de um espírito criativo, longe de reduzir-se a
aspectos imanentes, hereditários ou até místico-religioso, fruto de uma vocação especial ou dom divino, tem como fundamento o domínio de códigos específicos cuja
apropriação potencializa a expressão de idéias e/ou materialização de um ato. O
somatório entre talento, potencial cognitivo e capacidade de criação deve agregar, ainda, o reconhecimento num dado contexto que acolhe e nomeia algo como sendo inovador, excepcional.
A criatividade remete-nos para a consciência de singularidade no ser humano,
constituindo-se uma qualidade de vida. Diz do modo como cada pessoa percebe a sua
realidade e nela se expressa, fazendo escolhas, estabelecendo relações, descobrindo suas possibilidades de ser e agir.
Dentro desta perspectiva, a criatividade está inserida tanto no quotidiano, ao
mesmo tempo que dele emerge, como nas relações interpessoais, no fazer diário do
trabalho escolar, em busca de novas alternativas, de novos desafios. Desse modo pode ser entendida tanto como um ato ou ação espontânea, um processo multideterminado e um modo de expressão no ambiente, constituindo-se, por vezes, numa (do)ação para o coletivo Ser criativo implica lançar mão de subsídios inerentes ao ser humano, ou mesmo desenvolvidos pela ação de estímulos ambientais, sinalizando o esforço sensível, inteligente e enriquecedor, na condução do viver a própria história em seu tempo e contexto.
A criatividade tem também a vantagem de se socializar! Segundo Saturnino de la Torre, “ela deixa de ser um dom, uma capacidade pessoal para se converter num bem social, uma riqueza coletiva. [...] a criatividade está em saber utilizar a informação disponível, em tomar decisões, em ir mais além do que foi aprendido, sobretudo, em saber aproveitar qualquer estímulo do meio para gerar alternativas na solução
de problemas e na busca de qualidade de vida”.
A escola, enquanto contexto educacional configura-se como espaço privilegiado
em que são transmitidos valores, princípios e padrões de comportamento que se espera dos membros de uma dada cultura, onde são construídos e internalizados os conceitos quotidianos e científicos.
A construção do saber na criança não ocorre pelo simples registro de informações a
respeito do mundo, mas pelo significado dado a essas informações. O saber sendo uma construção social é um fenômeno da linguagem que extrapola o campo da simples observação e percepção.
Desse modo, é duplo o desafio à educação formal: levar crianças e adolescentes a
penetrar no mundo da linguagem e fazer da prática pedagógica um lugar da palavra,
onde possam falar, pois é pela circulação da palavra que a significação se constitui. O
saber é palavra e é também ação. Palavra e ação que se expressam e se representam de forma criativa à medida que o saber vai sendo internalizado de forma tácita, integrada à subjetividade do ator social, aqui representado pela criança ou adolescente.
Assim, é preciso que o aprendiz possa viver experiências, faça várias combinações e conexões entre elas, para que se constitua um sujeito capaz de aprender utilizando suas possibilidades imitativas e criativas, capaz de representá-las através de várias linguagens e capaz de compreender, também, através de várias linguagens, a experiência e a vivência do outro, para incorporá-las à sua quando se sentir fascinado por ela.
Na visão de Howard Gardner, “a inteligência da pessoa fornece a base para a criatividade; ela será mais criativa nos campos em que tiver mais energia”, sugerindo que se o educador/educadora partir de uma área significativa de interesse do aprendiz, em muito a dimensão da aprendizagem será favorecida. Ciente dessa relação, o referido autor aponta vários campos em que as inteligências se apresentam, destacando que cada uma, com suas modalidades de expressão, é produto da interação sujeito-ambiente, na estimulação e trocas permanentes
entre um e outro: Linguagem, Matemática e Lógica, Música, Raciocínio Espacial,
Movimento, Inteligência Interpessoal, Inteligência Intrapessoal, etc.
No livro “Código de Inteligência” (1998) Augusto Cury revela sua perspetiva da
psicologia positiva se bem que não lhe faça uma referência direta.
Ele chama de “códigos” às funções da inteligência ao que poderíamos também
chamar de códigos da psicologia positiva numa óptica da psicologia multifocal.
Esses códigos são os alicerces das inteligências múltiplas e do comportamento.
Necessitam ser decifrados, desvendados os seus matizes. Só assim poderão ser
treinados. O autor acredita que “se forem bem trabalhados, os códigos da
inteligência podem levar uma pessoa alienada a perseguir projectos de vida
fantásticos, transformar um funcionário comum num executivo brilhante, um
eleitor tímido num político extraordinário, um péssimo amante numa pessoa
afectuosa, um estudante desinteressado num pensador notável”. Vejamos.
1º O Código do Eu como gestor do intelecto
O código do Eu remete-nos para a consciência de que devemos ser autores da
nossa vida, assumindo escolhas e controlando as decisões. Essa é a melhor forma
de gerirmos o impacto dos estímulos (desde os nossos pensamentos ao marketing
que nos tenta persuadir) sobre a nossa vida.
Como recorda Augusto Cury, o Eu representa a nossa autoconsciência (o que
somos), a nossa identidade (quem somos), o nosso papel social (o que fazemos) e
a nossa localização no tempo e no espaço (onde estamos). Este Eu baseia-se em
todas as informações e experiências arquivadas no cérebro, a partir da vida intrauterina.
E. Berne, pai da Análise Transacional, defendeu que existem em nós 3 instâncias
psicológicas a que chamou de “Eu Pai” (o que aprendemos), o “Eu Criança” (o que
sentimos) e o “Eu Adulto” (o que somos). O que aprendemos influencia o que
sentimos e os dois influenciam quem somos.
Quando o “Eu Pai” - que representa toda a educação que tivemos – é repressor e
austero pode nascer em nós uma criança frágil e submissa que poderá tornar-se
num adulto infeliz. Muitos adultos são “crianças com um Eu fragilizado”, tornandose
submissos ou rebeldes. Diz Cury: “As armadilhas em que o Eu se envolve
determinam o sucesso ou o comprometimento da formação da personalidade e
das suas capacidades”.
Devemos então desenvolver “a arte da dúvida e da crítica”. Só assim podemos
filtrar os estímulos stressantes sociais, orgânicos e psicológicos, melhorarmos a
nossa qualidade de vida e ficarmos mais fortes.
2º O código da autocrítica – pensar nas consequências dos
comportamentos.
Trata-se de uma aptidão relacionada com o que o filósofo grego Aristóteles
chamava de “juizo” e que ele dizia ser “uma das faculdades da alma, obra do
pensamento e da sensação”.
Entende-se que um indivíduo dotado de sentido crítico “é aquele que possui a
capacidade de analisar e discutir problemas inteligente e racionalmente, sem
aceitar, de forma automática, as suas próprias opiniões ou opiniões alheias.” -
escreve o professor de psicologia David Carraher.
O sentido crítico pode também ser definido como “um processo de formação de
uma opinião ou conclusão baseada em informação acerca de uma situação e,
idealmente, chegar a uma conclusão que pondera e reconhece os elementos
importantes do tema” - dizem os psiquiatras Paula Trzepacz e Robert Baker.
O sentido crítico resulta de uma conjugação de factores relacionados não só com a
inteligência mas também com a personalidade, o humor, capacidades cognitivas
diversas e circunstências da vida, podendo ser afectado por factores culturais e
sociais. Mas a sua relação com a inteligência é muito grande. De tal forma que as
pessoas com défices e atrasos mentais, não sendo geralmente capazes de
pensamentos abstractos, apresentam uma capacidade muito limitada de formular
juizos.
As características da pessoa com sentido crítico são as seguintes: - alta habilidade
para pensar criticamente e lógicamente; - uma atitude de constante curiosidade
intelectual; - crítica de si mesmo e dos outros; - gosta de investigar e fazer muitas
perguntas; - entende com facilidade princípios gerais; - não é propensa a aceitar
afirmações, respostas e avaliações superficiais; - revela habilidade na
compreensão da estrutura de argumentos em linguagem natural; - é capaz de
fazer a distinção entre questões de facto, de valor e questões conceituais; -
mostra habilidade para penetrar até ao cerne de uma discussão ou debate; - tem
geralmente um sentido de humor desenvolvido.
Para Augusto Cury, este código da inteligência é “o código de quem se auto-avalia,
de quem pondera os seus actos, avalia os seus comportamentos, se ajusta, se
autocorrige, reflecte sobre as suas reacções e faz conjecturas sobre si mesmo”.
Ele destaca o “pensar antes de agir” afirmando que é uma das ferramentas mais
nobres de quem decifra os mais altos níveis do
código da autocrítica e então sugere que se pratique a Paragem Introspectiva, o
Silêncio, a Humanização nas relações sociais e ao mesmo tempo o evitar reacções
instintivas (que pode ser animalesco e destrutivo) e não se ser escravo do que os
outros pensem ou falem de nós.
3º O código da Psicoadaptação ou da Resiliência
Para Cury, este código tem a ver com a capacidade de sobreviver a tensões,
pressões, intempéries e adversidades. Ele a considera um dos códigos mais
notáveis da inteligência.
Quando esse código está pouco desenvolvido as pessoas suportam de forma
inadequada as crises da vida podendo atirar as suas vítimas para o que ele chama
de “suicídio imaginário” (desejo de desaparecer ou de não mais acordar), o
suicídio físico ou o suicídio psíquico (através de dependências como as drogas, o
alcoolismo, comportamentos auto-destrutivos e auto-abandono).
A psicoadaptação exige que as pessoas sejam capazes (aprendam) a não se
submeterem às derrotas, a usarem os problemas como oportunidades, a
expandirem a tranquilidade, a compaixão e a tolerância, a desenvolverem a saúde
psíquica para se protegerem das adversidades próprias da vida.
4º O código do Altruismo
Aqui reside o segredo da afectividade social. É, para Cury, o código que “expressa
a grandeza da alma, a generosidade, a bondade, a compaixão, a indulgência e o
desprendimento”.
O exercício deste código leva as pessoas a desenvolverem a paixão pela
Humanidade e a capacidade de se colocarem no lugar dos outros para
“perceberem os seus senrtimentos e desvendar as suas necessidades”.
É um código que se aprende praticando e não ouvindo lições de moral e civismo.
Por isso, Cury sugere que se descubra o prazer de doar, de tratar e de proteger os
outros; que se participe em actividades sociais e ecológicas; que se pratique o
silêncio e se previna a hipersensibilidade (não vivendo a história dos outros, nem
a sua dor e não os superprotegendo).
5º O código do Debate de Ideias
Como nascem as ideias? Eis uma pergunta a que ainda não sabemos dar uma
resposta que não seja do senso comum: as ideias nascem das trocas de energia e
informação que ocorrem no cérebro. Para elas contribuem também a dialógica
cultural e a efervescência cultural (Edgar Morin). Ou seja, as ideias são
construídas pelo cérebro mas têm uma forte origem externa. É da interacção com
o ambiente, e em especial a sociedade, que nascem as ideias.
Para Augusto Cury, este código é o alicerce do processo de formação de
pensadores, aquele que “habilita a trabalhar em equipa, a interagir, a trocar
experiências”. É o código que, bem aplicado, dá prioridade ao debate e à arte da
dúvida.
Mas o debate de ideias necessita de democracia e liberdade. Por isso, as
perguntas e as dúvidas devem ter direito a resposta e a novas perguntas e
dúvidas. Para isso temos de permitir e instigar as pessoas a expressar os seus
pensamentos.
Cury recomenda que, além de expressarmos o que sentimos e pensamos com
respeito, devemos treinar o diálogo em equipa, provocar a inteligência dos grupos,
exercitarmos a exposição de ideias e libertarmos o imaginário deixando fluir o
raciocínio.
6º O código do Carisma
O carisma é uma palavra que descreve as qualidades, o comportamento e as
atitudes de alguém e está relacionado com uma série de atributos onde a
capacidade de liderança ocupa um lugar de destaque.Tony Buzan, autor de
diversas obras sobre inteligência, refere que a principal caracteristica do carisma é
a energia que permite à pessoa ter uma visão, uma missão, quaisquer espécies de
objectivos ou finalidades e saber transmiti-las aos outros de tal modo que eles
aderem com entusiasmo ao que lhes for proposto.
Na mesma linha de raciocínio, outro autor, Peter Sharpe, diz que o carisma é a
capacidade de fazer as pessoas ouvir o que dizemos de tal forma que elas
“animam-se com o que estamos a dizer, ouvem o que estamos a dizer e, o que é
mais importante, actuam de acordo com o que estamos a dizer da forma que
queríamos que actuassem". Pessoas carismáticas? Pois apontam-se geralmente
nomes como Nelson Mandela, Martin Luther King, John Kennedy, Gandhy, Obama
e muitos outros.
As personalidades carismáticas são, em regra, pessoas activas, peremptórias,
enérgicas e apaixonadas por aquilo que fazem. Possuem uma série de
características tais como: presença; confiança, energia e entusiasmo;
autodeterminação; convicções fortes; tendência para dominar; uma forte
necessidade de influenciar os outros; capacidade para sentir, intuitivamente, o que
os outros sentem; uma natureza extrovertida; e, perspicácia.
Por vezes, possuem também, características fisicas atraentes, uma voz dominante
e inesquecível, olhar hipnótico ou que prende e uma "aura" muito pessoal.
Para Cury é o código da capacidade de encantar, de envolver, de surpeeender, de
admirar os outros e de se admirar a si mesmo envolvendo a afectividade, a
amabilidade, a afabilidade e o romantismo existencial.
O autor sugere a “inteligência carismática” - a habilidade para encantar, para
surpreender os outros agradavelmente e cultivar diariamente o romantismo pela
vida.
7º O código da intuição criativa
É um código libertador da criança que há em cada um de nós. É o que nos permite
arriscar, ousar, aventurar e inventar respostas novas para problemas velhos.
A psicologia multifocal aceita seis tipos de raciocínio basilares: o raciocínio lógicolinear
(científico); o raciocínio histórico-social (que analisa os factos passados da
humanidade); o raciocínio histórico-social; o raciocínio histórico-psíquico (baseado
na memória existencial privada e na história psíquica de cada indivíduo); o
raciocínio de psicogestão (o do Eu enquanto gestor da psique); o raciocínio
existencial (que alimenta o pensamento filosófico, a arte da dúvida, a arte dsa
crítica e arte da contemplação) e o raciocínio esquemático (organizador dos
demais raciocínios).
A intuição criativa resulta do pensamento multiangular, aberto e divergente que
congrega os diferentes tipos de raciocínios.
A flexibilização da mente é a porta de entrada para a intuição criativa, um dos
maiores potenciais da mente humana, infelizmente tolhida por educação
repressora, castradora, crendices, ideologias e ideias feitas que adquirimos sem as
questionar.
8º O código do Eu como gestor da emoção
É o da inteligência emocional. É, segundo Cury, “o código que dá um choque de
lucidez nas emoções, recicla o seu controlo de qualidade, propicia terreno para
cultivarmos a tranquilidade, o prazer, o júbilo, o deleite e o usufruto existencial”.
O seu objectivo é dar-nos um controlo sobre os nossos sentimentos de forma a
encararmos com tranquilidade as sensações de insegurança, os temores, as
angústias, os ciúmes, a agonia e as aflições da vida.
Cury cita Steiner que atesta que “uma pessoa emocionalmente educada consegue
lidar melhor com situações emocionais complicadas que, potencialmente,
poderiam resultar em conflitos, fúria, mentiras, agressões e mágoas infligidas
mutuamente”.
Para chegarmos a ser capazes de dominar este código temos de aprender a
conhecermo-nos, a protegermo-nos de emoções desagradáveis, a desenvolvermos
a nossa autonomia, a impedirmos que invadam a nossa mente e a redesenharmos
o nosso estilo de vida para amenizarmos o stress e outros desgastes psicológicos
e orgânicos.
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